Segunda-feira, 1 de Junho de 2009

Mais uma festa universitária

Há quem diga, ou pior, mostre, que universitário é beber sem saber o limite do corpo. Pior ainda, sem saber qual é o limite da mente. A tal "Para os Bohemios, uma festa Original" é uma cervejada universitária como qualquer outra festa de universitários. Tem gente que leva a caneca e enche a cara, briga na fila da serventia e suja por isso os pés de terra. Particularmente, a primeira coisa que fiz quando cheguei em casa, antes de entrar, foi tirar o tênis que de preto, por incrível que pareça, estava marrom. Havia pedaços de terra de um chão que pessoas sentavam, algumas deitavam, de tanto beber. Pois é isso a que nos prestamos morando longe da família e usando o dinheiro dos pais? Graças à íntegra ideia de educação que eu tenho, usei o dinheiro que eu ganhei do estágio, pois nunca me motivei por essas festas, tão pouco me interessei em descobrir.

No mais, salvo esta primeira impressão, eis o meu relato. Na primeira hora enfrentávamos uma fila que até andava rápido, pra depois passarmos por um segurança que revistava bem as bolas, mas mal os bolsos. O cheiro da marofa estava no ar e as pessoas pareciam gostar umas das outras. Procurei, como todos que estavam comigo, a fila da cerveja. Era preciso inclinar a caneca mais do que de costume pra não pegar mais espuma do que cerveja das mãos apressadas de quem a servia. O som não apresentava nenhuma surpresa em meio ao sertanejo, forró, funk e até música eletrônica. Dançava quem quisesse e como quisesse. Depois de alguns tragos, a coisa andava bem até que quem dançava procurava a lona pra dançar nas nuvens. Era a tal Bohemios... Era uma multidão fácil de se perder e fácil de se encontrar. Ah, não, eu não me arrisco a beber mais da conta num lugar desses. Há quem o fizesse, mesmo que depois não encontrasse o ombro amigo pra sair carregado. No final das contas, até que me arrisco dizer dos 25 reais que não voltam mais, infelizmente.

Quarta-feira, 13 de Maio de 2009

Mas que...

coisa é essa,
que rebola, me interessa

vida é essa,
me traz mais uma remessa

se não choro,
lhe imploro

vai pra fora,
não começa

chora tudo,
vem agora

dá uma volta
e vai embora

Segunda-feira, 23 de Fevereiro de 2009

Carnaval

A gente bebe, gira, pula e grita.

Dança, samba, roda e pira.

E se não quer, olha.

Nota, arrota, bebe e chora.

Cai, levanta, dança na roda.

Forçado, caído, cansado e levado.

Se não quer, vira, corre e sai milhado.

Quinta-feira, 11 de Setembro de 2008

Identidade

Não era à toa que as pessoas debochavam: aquele impune rapaz merecia tal condição. Era hostilizado por todos e especialmente por si próprio. Uma dúvida cerceava sua cabeça: "por que sou tão diferente?"

Não era qualquer rapaz dominado por seus sonhos, seguindo uma tortuosa e serena estrada que o levava a caminho de um lugar excitante e desconhecido. Não. Ele sabia bem o seu lugar. Era mais fácil seguir com poucos passos, tendo noção de distância e de sentimento, cobrando menos do que deveria cobrar de si mesmo. E este rapaz tinha cabelos compridos e encrespados, barba grande e olhos cansados, resultado da abdicação de valores morais que dariam lugar a novos ainda a caminho.

Se valia a pena ou não, não sabia. Uma coisa era certa: seu destino seria igual ao de todas as pessoas da nossa humanidade. A morte. Então o que esperar das mudanças se muitas delas são enterradas conosco? Talvez a herança seria deixada a algumas pessoas, familiares, amigos? Não importava. Ele, o rapaz, sabia que sua inveja permitia nada mais do que aquilo: valorar a si mesmo. Tudo que pensava, sentia, cantava e amava em sua mente tinha a finalidade de morar ali e em nenhum outro lugar, embora houvesse a comum ânsia de mostrar a todos aquela velha novidade.

Cantava o canto dos existencialistas, das pessoas que eram o ser-aí jogado ao mundo. Tinha o domínio sobre sua vida, embora não soubesse disso. Não tinha medo de nada, só da injustiça. Ah, injustiça... Um conceito ideológico presente no ethos e na moral do planeta. O que significava ser justo, afinal? Comungar das vontades gerais de um grupo numericamente dominante ou aceitar as condições impostas por minorias? Evidentemente a resposta é simples para muitos, mas não para ele. O que lhe movia nada tinha a ver com justiça, muito menos com ideologias. Era movido por puro sentimento, emoção e solidariedade. Não hesitava em ajudar os amigos, até mesmo os que não enxergavam sua amizade. Nunca esperou nada em troca, muito pelo contrário: sabia que a troca não existia, era um valor morto. A troca existente é a comercial, a de trabalho, a que move a economia de uma comunidade. A troca que ele pedia nada mais era do que sentimento, harmonia e música.

Pois com estes três interlocutores da vida podíamos tentar a ordem que quiséssemos. No final, os três se completavam, atraíam-se.

Terça-feira, 18 de Dezembro de 2007

Férias

Não sei se já era previsível, mas venho comunicar a todos os meus assíduos leitores que durante as férias não usarei mais meu tempo neste blog. O motivo é simples: desejo descansar e retirar qualquer e todo tipo de esforço mental de minha pacata vida para que esta volte à tona e a pleno funcionamento quando meu retorno à Londrina estiver fadado. Até lá devo ter algumas breves semanas para aproveitar a morbidez de não se fazer nada e de apreciar as lembranças que cultivei durante um tempo aqui na terrinha.

Aquele abraço a todos, Feliz Natal e que o Ano Novo seja da maneira que meu outro "eu" um dia disse pra mim.

Sexta-feira, 7 de Dezembro de 2007

A história da vida na Terra

Então Deus denominou-se Deus e com tal poder olhou para o nada com o fim de fazer algo. E fez. Criou uma constelação tão vasta que aos olhos do homem a denominação era "infinita", impossível de alcançar com os olhos, mesmo com aqueles de telescópios. E o homem não estava aí por estar, Deus já o tinha colocado em seu lugar, com seu mundo, cheio de oportunidades para o seu desenvolvimento. O homem então evoluiu (?), criou máquinas, coisas que ganharam vida sozinhas, sem o poder de quem havia criado o homem. Então o homem pôs-se como o centro. Alguns talvez levem o discurso que os seres humanos são os seres mais inferiores, entretanto, em seu dia-a-dia, todos sabem que mesmo esses ainda agem como os outros, como se o mundo fosse dele, assim como o universo. E o questionamento começou a respeito de quem deveria herdar a divindidade. A verdade é que o homem nunca assume sua posição num espaço físico. Para ele, não há limites em se criar. A criação supera para o homem as forças divinas, como se os filhos mecânicos desse homem fossem ser tão superiores. E o homem sonha, o homem tem tudo para ele e ao mesmo tempo nada. Ele mergulha de cabeça na própria mente. E só quem vê de fora é quem sabe, o homem é cientificamente habitável para todos os seres do planeta. Essa palavra histórica, masculina, "o homem", habita um pouco cada um de nós. Todos um pouco científicos e racionais, com seus carros e contas bancárias, casamentos frustrados, brigas familiares. Somos todo o pouco que também não queremos ser. E assim termina, porque hei de viver essa realidade conclusiva, porque essa realidade corre neste exato momento.

Loucura



Mergulho imenso na escuridão da alma, que range como rangem os dentes de um capitão perverso e sua trupe de marinheiros dopados.

HÁ HÁ

Voar com asas de uma águia biônica programada para matar toda vida humana na Terra, e me matou! Me matou e me jogou dentro de um caldeirão de uma fábrica de Halls.

HÁ HÁ HÁ

E a viagem termina aqui, com eu dentro do caldeirão de Halls morrendo de frescor e refrescância, não tem jeito melhor de sair da vida.