Há quem diga, ou pior, mostre, que universitário é beber sem saber o limite do corpo. Pior ainda, sem saber qual é o limite da mente. A tal "Para os Bohemios, uma festa Original" é uma cervejada universitária como qualquer outra festa de universitários. Tem gente que leva a caneca e enche a cara, briga na fila da serventia e suja por isso os pés de terra. Particularmente, a primeira coisa que fiz quando cheguei em casa, antes de entrar, foi tirar o tênis que de preto, por incrível que pareça, estava marrom. Havia pedaços de terra de um chão que pessoas sentavam, algumas deitavam, de tanto beber. Pois é isso a que nos prestamos morando longe da família e usando o dinheiro dos pais? Graças à íntegra ideia de educação que eu tenho, usei o dinheiro que eu ganhei do estágio, pois nunca me motivei por essas festas, tão pouco me interessei em descobrir.
No mais, salvo esta primeira impressão, eis o meu relato. Na primeira hora enfrentávamos uma fila que até andava rápido, pra depois passarmos por um segurança que revistava bem as bolas, mas mal os bolsos. O cheiro da marofa estava no ar e as pessoas pareciam gostar umas das outras. Procurei, como todos que estavam comigo, a fila da cerveja. Era preciso inclinar a caneca mais do que de costume pra não pegar mais espuma do que cerveja das mãos apressadas de quem a servia. O som não apresentava nenhuma surpresa em meio ao sertanejo, forró, funk e até música eletrônica. Dançava quem quisesse e como quisesse. Depois de alguns tragos, a coisa andava bem até que quem dançava procurava a lona pra dançar nas nuvens. Era a tal Bohemios... Era uma multidão fácil de se perder e fácil de se encontrar. Ah, não, eu não me arrisco a beber mais da conta num lugar desses. Há quem o fizesse, mesmo que depois não encontrasse o ombro amigo pra sair carregado. No final das contas, até que me arrisco dizer dos 25 reais que não voltam mais, infelizmente.
Segunda-feira, 1 de Junho de 2009
Quarta-feira, 13 de Maio de 2009
Mas que...
coisa é essa,
que rebola, me interessa
vida é essa,
me traz mais uma remessa
se não choro,
lhe imploro
vai pra fora,
não começa
chora tudo,
vem agora
dá uma volta
e vai embora
que rebola, me interessa
vida é essa,
me traz mais uma remessa
se não choro,
lhe imploro
vai pra fora,
não começa
chora tudo,
vem agora
dá uma volta
e vai embora
Segunda-feira, 23 de Fevereiro de 2009
Carnaval
A gente bebe, gira, pula e grita.
Dança, samba, roda e pira.
E se não quer, olha.
Nota, arrota, bebe e chora.
Cai, levanta, dança na roda.
Forçado, caído, cansado e levado.
Se não quer, vira, corre e sai milhado.
Dança, samba, roda e pira.
E se não quer, olha.
Nota, arrota, bebe e chora.
Cai, levanta, dança na roda.
Forçado, caído, cansado e levado.
Se não quer, vira, corre e sai milhado.
Quinta-feira, 11 de Setembro de 2008
Identidade
Não era à toa que as pessoas debochavam: aquele impune rapaz merecia tal condição. Era hostilizado por todos e especialmente por si próprio. Uma dúvida cerceava sua cabeça: "por que sou tão diferente?"Não era qualquer rapaz dominado por seus sonhos, seguindo uma tortuosa e serena estrada que o levava a caminho de um lugar excitante e desconhecido. Não. Ele sabia bem o seu lugar. Era mais fácil seguir com poucos passos, tendo noção de distância e de sentimento, cobrando menos do que deveria cobrar de si mesmo. E este rapaz tinha cabelos compridos e encrespados, barba grande e olhos cansados, resultado da abdicação de valores morais que dariam lugar a novos ainda a caminho.
Se valia a pena ou não, não sabia. Uma coisa era certa: seu destino seria igual ao de todas as pessoas da nossa humanidade. A morte. Então o que esperar das mudanças se muitas delas são enterradas conosco? Talvez a herança seria deixada a algumas pessoas, familiares, amigos? Não importava. Ele, o rapaz, sabia que sua inveja permitia nada mais do que aquilo: valorar a si mesmo. Tudo que pensava, sentia, cantava e amava em sua mente tinha a finalidade de morar ali e em nenhum outro lugar, embora houvesse a comum ânsia de mostrar a todos aquela velha novidade.
Cantava o canto dos existencialistas, das pessoas que eram o ser-aí jogado ao mundo. Tinha o domínio sobre sua vida, embora não soubesse disso. Não tinha medo de nada, só da injustiça. Ah, injustiça... Um conceito ideológico presente no ethos e na moral do planeta. O que significava ser justo, afinal? Comungar das vontades gerais de um grupo numericamente dominante ou aceitar as condições impostas por minorias? Evidentemente a resposta é simples para muitos, mas não para ele. O que lhe movia nada tinha a ver com justiça, muito menos com ideologias. Era movido por puro sentimento, emoção e solidariedade. Não hesitava em ajudar os amigos, até mesmo os que não enxergavam sua amizade. Nunca esperou nada em troca, muito pelo contrário: sabia que a troca não existia, era um valor morto. A troca existente é a comercial, a de trabalho, a que move a economia de uma comunidade. A troca que ele pedia nada mais era do que sentimento, harmonia e música.
Pois com estes três interlocutores da vida podíamos tentar a ordem que quiséssemos. No final, os três se completavam, atraíam-se.
Terça-feira, 18 de Dezembro de 2007
Férias
Não sei se já era previsível, mas venho comunicar a todos os meus assíduos leitores que durante as férias não usarei mais meu tempo neste blog. O motivo é simples: desejo descansar e retirar qualquer e todo tipo de esforço mental de minha pacata vida para que esta volte à tona e a pleno funcionamento quando meu retorno à Londrina estiver fadado. Até lá devo ter algumas breves semanas para aproveitar a morbidez de não se fazer nada e de apreciar as lembranças que cultivei durante um tempo aqui na terrinha.
Aquele abraço a todos, Feliz Natal e que o Ano Novo seja da maneira que meu outro "eu" um dia disse pra mim.
Aquele abraço a todos, Feliz Natal e que o Ano Novo seja da maneira que meu outro "eu" um dia disse pra mim.
Sexta-feira, 7 de Dezembro de 2007
A história da vida na Terra
Então Deus denominou-se Deus e com tal poder olhou para o nada com o fim de fazer algo. E fez. Criou uma constelação tão vasta que aos olhos do homem a denominação era "infinita", impossível de alcançar com os olhos, mesmo com aqueles de telescópios. E o homem não estava aí por estar, Deus já o tinha colocado em seu lugar, com seu mundo, cheio de oportunidades para o seu desenvolvimento. O homem então evoluiu (?), criou máquinas, coisas que ganharam vida sozinhas, sem o poder de quem havia criado o homem. Então o homem pôs-se como o centro. Alguns talvez levem o discurso que os seres humanos são os seres mais inferiores, entretanto, em seu dia-a-dia, todos sabem que mesmo esses ainda agem como os outros, como se o mundo fosse dele, assim como o universo. E o questionamento começou a respeito de quem deveria herdar a divindidade. A verdade é que o homem nunca assume sua posição num espaço físico. Para ele, não há limites em se criar. A criação supera para o homem as forças divinas, como se os filhos mecânicos desse homem fossem ser tão superiores. E o homem sonha, o homem tem tudo para ele e ao mesmo tempo nada. Ele mergulha de cabeça na própria mente. E só quem vê de fora é quem sabe, o homem é cientificamente habitável para todos os seres do planeta. Essa palavra histórica, masculina, "o homem", habita um pouco cada um de nós. Todos um pouco científicos e racionais, com seus carros e contas bancárias, casamentos frustrados, brigas familiares. Somos todo o pouco que também não queremos ser. E assim termina, porque hei de viver essa realidade conclusiva, porque essa realidade corre neste exato momento.
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Loucura
HÁ
Mergulho imenso na escuridão da alma, que range como rangem os dentes de um capitão perverso e sua trupe de marinheiros dopados.
HÁ HÁ
Voar com asas de uma águia biônica programada para matar toda vida humana na Terra, e me matou! Me matou e me jogou dentro de um caldeirão de uma fábrica de Halls.
HÁ HÁ HÁ
E a viagem termina aqui, com eu dentro do caldeirão de Halls morrendo de frescor e refrescância, não tem jeito melhor de sair da vida.
Mergulho imenso na escuridão da alma, que range como rangem os dentes de um capitão perverso e sua trupe de marinheiros dopados.
HÁ HÁ
Voar com asas de uma águia biônica programada para matar toda vida humana na Terra, e me matou! Me matou e me jogou dentro de um caldeirão de uma fábrica de Halls.
HÁ HÁ HÁ
E a viagem termina aqui, com eu dentro do caldeirão de Halls morrendo de frescor e refrescância, não tem jeito melhor de sair da vida.
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